sábado, 27 de fevereiro de 2010

Para não dizer que não falei de flores


Depois do post anterior, me dei conta de que  ainda antes do Carnaval, o ano já contabilizava uma linda vitória! que seria totalmente injusto com os seringueiros de Assis Brasil, com a AMOPREAB, com a VEJA, e comigo também, não registrar no Amazone-se.

Em 28 de Janeiro a AMOPREAB fez o embarque do segundo lote, 3079 kg de FDL de 1ª qualidade, para concluir o 2º Pedido do Contrato com a VEJA totalizando 6255 kg de FDL entregues, da Safra 2009.

Isso significou o cumprimento de todos os acordos firmados por todas as partes no prazo combinado!!!
Super bacana!!!

Para quem não está por dentro, explico um pouco mais.

A VEJAwww.veja.fr ) é a empresa francesa de tênis para a qual, desde 2007, estou trabalhando na organização do fornecimento de borracha nativa, com base nos princípios de comércio justo e ambientalmente responsável, como é toda a cadeia produtiva da empresa, fundada em 2005 em Paris, por dois jovens empreendedores estreantes, Sébastien Kopp e François Morillion.

François e Sébastien

Desde sua fundacão, a VEJA multiplicou muitas vezes suas vendas, e dos 5000 pares de estréia, hoje está na casa dos 200.000 pares de tênis vendidos, e cresce vigorosa e tranquilamente, apesar da crise.

Aparentemente, não há nenhum segredo neste sucesso.
François e Sébastien são empresários absolutamente conservadores no que diz respeito à gestão financeira da empresa, crescendo organicamente sem dar passos maiores que as pernas, e sem dependerem de investimentos externos;  e totalmente inovadores na forma de lidar com os seus clientes e fornecedores, agindo com simplicidade e profundidade na busca de caminhos e soluções social e ambientalmente responsáveis, para cada uma de suas ações, fazendo disso um diferencial competitivo, num segmento de mercado tradicionalmente perverso, como é o da indústria dos calçados, de forma geral, no mundo.

A equipe jovem e super profissional é baseada em 3 pontos: a linda sede de 4 pequenos andares, a 3 quadras da Place de La Bastille, lugar onde estão concentrados os jovens criadores de moda de Paris, em torno de 15 pessoas; na base da producão dos tênis - totalmente brasileira - em Novo Hamburgo/ RS, 5 pessoas; e no caçula dos pontos, o recém montado (1 ano) escritório de vendas de Londres, 3 pessoas.

Equipe na confraternização de final de ano em Paris (foto Bia S, voltando da COP 15...)

Lembra MUUIITO a turma do EcoMercado, pra quem conheceu...

Os produtos da VEJA são tênis fabricados com solado de borracha nativa da Amazônia, lona de algodão orgânico produzido por pequenos agricultores no Nordeste do Brasil, especialmente no Ceará, e bioleather, um couro tratado sem uso de metais pesados, com curtimento vegetal, fabricado especialmente pra eles.



Depois de se formarem juntos em administração de empresas, François e Sébastien viajaram 1 ano para  conhecer experiências de fair trade ao redor do mundo, e em busca de inspiração para juntos desenvolverem um empreendimento que fosse ao mesmo tempo interessante pra dois jovens empresários, e coerente com seus ideais e inquietações.

Na viagem ao redor da Terra foram bater no Brasil, um dos maiores fabricantes de calçados do mundo, e na Amazônia, e assim nasceu a idéia e o desafio de mostrar ao mundo que não é preciso explorar trabalho infantil na China e nem pagar milhões para Ronaldinho Gaúcho e Kaká para fazer um tênis bacana de verdade se colocar bem no mercado...

Aqui na floresta eles contam com um batalhão de gente a fim de que o negócio dê certo.

François com Governador Binho, e Secretário Nilton Cosson,  de  em Abril de 2009

O email que chegou este sábado,  apenas 1 um mês depois do último embarque, da Néia, a presidente da AMOPREAB, traduz um pouco deste entusiamo:

- Boa tarde Giselie (VEJA) e Bia, estou encaminhando relatório de compra de  FDL, referente ao último repasse feito pela VEJA, que segue em anexo; os seringueiros estao bastante animados e não pararam de produzir mesmo com as chuvas intensas, eles continuam produzindo.
um abraço
Néia


Um luxo!

Cabe lembrar que a FDL é uma tecnologia desenvolvida na UNB, pelo Prof Floriano Pastore, que há 15 anos vem lutando em muitas e muitas frentes de batalha, tendo implantado experiências em diversas Reservas Extrativistas na Amazônia. Pela 1ª vez desde então, a producão está sendo  escoada com regularidade, qualidade e preço justo.
Esta é uma vitória! que vale MUITO ser registrada e comemorada.

Com apoios de parceiros indispensáveis como o Governo do Acre, o WWF Brasil, a GTZ, o MDA e a IUCN,  esperamos que no final de 2010, além dos 50 produtores de Assis Brasil, outros 245 produtores em outros 5 municípios do Acre, estejam envolvidos nesta mesma onda, fornecendo borracha nativa de 1ª qualidade para os novos pedidos e projetos da VEJA e também para novos clientes que cheguem com este mesmo espírito empreendedor e inovador.

 
Equipe VEJA, Bia, Dande(WWF), Débora (Maturi), Ademir (Seaprof) todos juntos na Reserva Chico Mendes de Assis Brasil em Abril de 2009.
 

Viva!!!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tá chegando a hora...

Amanhã começa o ano  no Brasil. Segunda feira depois do Carnaval. 
Quem pode empurrar mais uma semana e começar em só março, tá valendo...
E quem já está no batente desde o início de Janeiro, tem uma sensação boa de estar com o trabalho adiantado.
Eu não estou nem lá, nem cá.
Comecei em Janeiro, não parei no Carnaval, mas estou ainda com tudo pela frente. Mais a fazer do que a comemorar.


Em pauta o Plano Estratégico da Borracha - Acre 2040.
Um desafio legalérrimo que aceitei coordenar, a serviço do Governo do Acre e do WWF Brasil.
Por conta dele, estou imersa em textos, dados, leis, números, conceitos, projetos, enfim, uma infinidade de informações que preciso organizar e resumir e delas extrair o que será a matéria prima para as tomadas de decisões com relação a Borracha Natural no Acre nas próximas 3 décadas.


A proposta do Nilton Cosson, Secretário de Extensão Agro Florestal e Produção Familiar, é reunir num só documento um histórico das políticas públicas que influenciaram a economia da Borracha no Acre e no Brasil e principalmente, o conjunto das ações em curso, com suas consequências de curto, médio e longo prazos.
A idéia é que com o Plano Estratégico disponível, os próximos governos estaduais e federais, ao longo das próximas 3 décadas, possam dar continuidade ao que está sendo feito hoje, e concretizar os ideais de revitalização da Cadeia da Borracha Natural no Estado, visto que isso não se faz da noite para o dia.


E há muitas ações em curso no Acre nesta direção. Espero conseguir compartilhar com os leitores do blog.

O primeiro produto, o levantamento de todas as informações, deveria ter sido entregue e Dezembro...como fui abduzida pela missão COP 15, ganhei mais 2 meses para concluir.


E a hora é agora , ..."o dia já vem raiando meu bem, e eu tenho que ir embora...


beijos e feliz ano novo para os trabalhadores do Brasil!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval na Floresta Digital


O programa bacanérrimo(!!!) que vai oferecer internet pública wireless para todo o Acre (até nas aldeias...já pensou?), que o governo estadual lançou há poucos dias, é o tema do carnaval acreano que tb é totalmente promovido pelo governo.

É o Carnaval na Floresta Digital!
Tem até marchinha.

As vezes cansa um pouco  esta onipresença estatal... de fazer inveja a qualquer cubano...

E pra nós aqui na chácara, por enquanto, nada de sinal de internet, só barulho...
Vamos ter que aguentar até meia noite de terça feira o carnaval da Arena da Floresta que ecoa aqui no Ramal como se fosse dentro de casa.

Só rezando...
Alá, Alá, Alá meu bom Alá!!!



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Não confundir capivara com queixada...

Na postagem anterior falei das "queixadas do Ramal"...
Tadinha! Santa ignorância! Na verdade eram Capivaras!!!
Apesar de ambas fazerem parte do "cardápio" do povo da floresta, são animas totalmente diferentes...

Capivara

Queixada

Uma pequena confusão que esclareço agora a pedido dos vizinhos...
Bom carnaval!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

1 Ano de Acre


Faz 1 ano que chegamos aqui.
Uma travessia.


Da trabalhosa desmontagem e embalagem da vida na Maria Angélica à montagem e adptação à vida no Ramal dos Dez, muuuuuitas foram as emoções, provações, alegrias e superações até aqui.

Alguns momentos são insquecíveis, e entre estes, quero compartilhar alguns:

A aranha caranguejeira no banheiro na primeira noite na casa.

A entrada de João Manuel sozinho pelo portão da escola nova no primeiro dia de aula...
A volta da escola no primeiro dia de aula dizendo generosamente que tinha sido "legal".

Chegada do Zico (cachorrinho que João ganhou de aniversário, agora com 1 ano...).


O almoço que oferecemos em casa, no Domingo de Páscoa, para a jovem equipe da VEJA, com 15 pessoas entre franceses e gaúchos (minoria).
Foi quando nos demos conta que fazia sentido morar numa casa tão grande...nossa Embaixada.


A chegada do 4 morador da casa, nosso amado compadre Terri.


A chegada dos amigos Kaxi, Yawa...



A passagem da Bita Mariani com sua turma e a "mais famosa cantora pop da Austrália" que deixou João mais consciente do quanto o Acre é parte do mundo.

O bando de queixadas no Ramal.

As primeiras tardes de primavera no jardim da Cila.


As noites de Lua Cheia
.

A Lua minguante nascendo antes do sol alinhada com Vênus.

A partida da Amada Tia Myriam, que o tempo nunca vai levar...


A visita do Caio, amigo do João da Escola Parque no Rio, com seu pai Beto Nascimento, gente chic e linda que escolheu o Acre para passar férias e nos deram o prazer de recebe-los como hóspedes.
Foi quando João encarnou sua acreanidade e fez as honras de mostrar aos amigos sua cidade.

A passagem da dôce Raquel que nos lembrou que  a Amazônia não é para moças bonitas andarem sozinhas...


O curso sobre Pagamentos por Serviços Ambientais do Forest Trends que fiz na CPI em agosto, que mudou a minha visão quanto ao meu trabalho e as novas formas de pensar a floresta.

O nascimento da eguinha.


O calor do Verão.

As rezas para São  Miguel.

As visitas ao túmulo do Mestre Irineu.

O convite para ir a Copenhague.

A coruja.

O fardamento.


A viagem a Copenhague.


A chegada da família para o Natal.




A noite de Ano Novo quando João disse: - Mãe, este ano a gente vai ser MUITO feliz aqui no Acre!

O almoço para Madrinha.





Os banhos no açude azul.

A volta das férias de Janeiro no Rio, quando João disse: - Mãe, estou com MUITA saudade da minha Vida no Acre.

A saudade da presença do Zé Roberto na nossa vida.


..."Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"...